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Ministério de catequista: o reconhecimento de uma vocação

Altierez dos Santos

Autor:

No dia 10 de maio de 2021 o Papa Francisco realizou um gesto histórico que foi a instituição do Ministério de Catequista por meio do motu proprio Antiquum Ministerium. Esse gesto aconteceu na sequência de alguns eventos que mostram como a catequese está no centro da atenção do Papa:

– Sínodo Sobre a Juventude em 2018;

– Realização do Congresso Internacional de Catequese em 2018;

– Publicação do Diretório para a Catequese em 2020;

– Abertura dos ministérios de Leitor e Acólito para mulheres em 2021.

 

A GRANDE PERGUNTA que surge é: em que a instituição do Ministério de Catequistas pelo Papa Francisco vai afetar a missão de catequistas?

 

É uma dúvida que ainda vai levar algum tempo para ser respondida de forma mais clara, pois em cada Diocese as dinâmicas, compreensões e vontades são diferentes. Algo, no entanto, acaba se colocando como urgência: a necessidade de uma evangelização mais eficiente que demanda a melhor preparação de catequistas para tanto. O caminho que se iniciou não tem mais volta. A capacitação de catequistas vai melhorar até mesmo pela exigência de quem já é catequista e não se contenta em escutar todas as vezes as mesmas informações básicas.

 

ATUALMENTE não é adequado dizer que todas as dioceses e comunidades paroquiais colocam a catequese no centro das atenções. A instituição do Ministério de Catequista levará Dioceses, paróquias e catequistas a repensarem a catequese e o destaque que é dado a ela hoje. A análise a seguir não é no sentido de confrontar ou de fazer um discurso do “nós contra eles”, mas tem apenas o objetivo de olhar com realismo e seriedade a questão da catequese atualmente. Maturidade e sinceridade só podem nos fazer bem.

 

Há três situações que serão sacudidas por esse terremoto:

 

  1. DIOCESES E COMUNIDADES que não cuidam da catequese.

Na maior parte das vezes o que vemos é um quadro de desatenção sobre esta questão sensível. Testemunhos disso podemos observar em milhares de catequistas que não dispõem de recursos de suas comunidades para se prepararem adequadamente para a missão. Em muitos encontros que administrei em todo o Brasil, foram muitas as vezes em que as catequistas precisaram retirar investir os próprios recursos para participarem. Isso não significa paróquias pobres, significa mentalidade pobre, pois quando uma comunidade possui vontade de realizar algo, ela se organiza financeiramente. Mas de modo geral, quando se trata de investir nessas questões, vi pessoas e grupos de importância nas Igrejas locais desconversando ou usando a imagem de “despossuídas e carentes”… Com a instituição do ministério e as orientações do Diretório para a Catequese, há cobranças mais diretas que vão levar a uma melhor organização.

 

  1. DIOCESES E COMUNIDADES que cuidam da catequese.

Mas verdade seja dita, há também comunidades maduras que investem sim na formação de suas e de seus catequistas, colocando o custeio das formações presenciais da catequese no mesmo nível do retiro do clero. Para as Igrejas que conhecem a importância da preparação de catequistas, os bons frutos colhidos são prova de que se trilha o caminho certo. Pratica-se ali uma máxima muito verdadeira: em primeiro lugar é preciso cuidar de quem cuida dos outros. Catequistas sabem que possuem uma casa para chamar de sua nessas Dioceses e Paróquias. Para essas comunidades a instituição do Ministério de Catequista vai abrir ainda mais novas possibilidades de crescerem, se realizarem e serem felizes na missão.

 

  1. CATEQUISTAS que não conhecem a importância de sua vocação.

Esse assunto não é muito abordado, mas é muito observado. E geralmente, quando aparece em formações, vai muito no sentido do humor e da brincadeira. Mas é assunto sério e que pode ser tratado objetivamente. Assim como há comunidades que não cuidam de seus corpos catequéticos, há também catequistas que não avaliam a importância e o impacto que possuem sobre seus catequizandos, famílias e comunidades. Aqui vemos pessoas que se justificam dizendo que não possuem tempo, que não precisam de preparação ou que “tem mais o que fazer”. Seria injusto dizer que esse tipo de catequista é fruto de comunidades indiferentes. Todos acham normal cobrar certas posturas dos padres, por exemplo, mas não pensam o mesmo sobre catequistas. A cobrança aqui, é bem fácil de ser identificada: catequistas que não se formam, deformam o catequizando, como nos ensina Padre Lima. A lista continua:

– Catequistas que não mantém comunhão com a Igreja;

– Catequistas que se isolam achando que já sabem tudo;

– Catequistas que resistem às mudanças;

– Catequistas que seguem suas ideologias, etc… etc…

 

Para esse tipo de postura a instituição do Ministério poderá servir como estímulo a uma seriedade ou até mesmo como filtro antes de assumirem uma missão para a qual não querem se preparar. Não é mais possível brincar com isso.

 

CATEQUISTAS QUE SE PREPARAM não entram nesta lista acima pois avalio que o motu proprio Antiquum Ministerium é em grande medida a resposta às nossas orações e pedidos. Destas constatações o que eu destaco é o heroísmo, generosidade e amor ao ministério que percebo em catequistas de todas as latitudes e longitudes. Para estes catequistas a instituição do Ministério é um reconhecimento da própria necessidade de evangelizar. Ele abre um horizonte de novas possibilidades que vão nos favorecer, como o surgimento ou melhoria de escolas catequéticas, a valorização de boas e bons formadores por mais tempo, a criação e distribuição de melhores livros e conteúdos de formação e sobretudo o maior dom: a instituição do ministério é o reconhecimento de uma vocação, a vocação de Catequista.

Fonte:

Portal Altierez

2 Comentários.

  1. Sou catequista a mais de 40 anos e sempre vi que as Paróquias não investem para que o catequista cresça na formação. Tenho feito diversos cursos até mesmo o catecismo da igreja católica porque senti a necessidade de fazer , já paguei diversos cursos para me atualizar e foi muito proveitoso . Meus catequisandos continuam após crisma e isso me anima na caminhada.É esse o caminho….estudar sempre….Formação permanente faz parte e se faz necessário….Como faço p que conste no portal meus cursos que fiz com professor Altierez , creio que fiz uns 10 cursos.

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