

A palavra mistagogia entrou em circulação no meio de catequistas junto com a mudança para o processo catecumenal. Apareceram junto com ela, palavras não tão comuns como “escrutínios”, “exorcismos”, “entregas”, “querigma”, “iluminação”, “purificação”, “tempos e etapas”, “catecumaneto”, dentre outras que agora qualquer catequista iniciante já conhece o significado muito bem. Correto? Na verdade não: a maioria dessas palavras ainda não é conhecida claramente pelas(os) catequistas e até pelo clero.
O sentido da própria palavra mistagogia, por exemplo, é duplo:
Se o primeiro significado não é algo muito simples de imaginar, o segundo significado fica também muito nebuloso. Por isso vou focar aqui no que significa mistagogia em sua aplicação prática na catequese.
O termo tem origem no idioma grego e é formada por duas palavras: mistè (mistério) + aguein (conduzir), logo, o significado seria “conduzir ao mistério”.
A prática da mistagogia se originou da “pedagogia divina” que os primeiros catequistas do século II realizavam com os candidatos a receberem o santo batismo na Igreja Católica. Naquele tempo, devido às perseguições pelas quais passava a Igreja, receber o batismo era algo muito perigoso e também muito desejado. Não era um tempo como o atual em que as pessoas recebem os sacramentos e nem sabem o que eles significam. Para a Igreja dos primeiros séculos havia uma longa, extensa e muito bem feita preparação para uma pessoa tornar-se cristã.
Naquele cenário se destacavam os grandes catequistas, dentre eles alguns bispos, que em suas homilias sobre alguns textos do Evangelho, explicavam o sentido espiritual da Sagrada Escritura e ligavam este sentido com a vida das pessoas. Quando esses bispos falavam, as pessoas se impressionavam, pois o que estava sendo ensinado por eles realmente estava no texto sagrado, mas de algum modo não tinha ficado claro. Era algo muito diferente de qualquer leitura direta que alguém fizesse da Bíblia. Não eram apenas palavras bonitas e nem “lições de moral”: era a voz da sabedoria ditada pelo Espírito Santo. Esses bispos e também alguns leigos que ensinavam desta forma eram chamados de “mistagogos” pelo fato de conduzirem as pessoas à maior e mais bela experiência de vida que elas tiveram: contemplar o mistério de Deus.
Essas homilias eram chamadas “catequeses mistagógicas” e chegaram até nosso tempo várias delas para nos ajudar a entender o que significa na prática o significado de mistagogia.
Primeira pergunta: catequista pode fazer uma catequese mistagógica? Catequista consegue fazer uma catequese que ilumine o interior dos catecúmenos ou catequizandos como faziam aqueles primeiros catequistas?
A resposta é sim. A mistagogia pode acontecer em lugares e situações diferentes. Uma delas é durante a celebração da Divina Liturgia (Santa Missa), e estará a cargo de um sacerdote bem versado nos textos sagrados. Outra forma é durante o encontro catequético, quando a(o) catequista conduzirá o grupo de catequizandos para uma experiência profunda de oração.
Segunda pergunta: como catequistas podem realizar a catequese mistagógica?
Nós podemos realizar a mistagogia por meio de encontros catequéticos diferenciados. Não podemos usar os mesmos modelos de encontro atuais para conduzir catequizandos ao encontro com Deus. É preciso ter alguns cuidados e o primeiro deles passa pelo conhecimento da prática de oração e ensino chamada “Lectio Divina”. Conhecer Lectio Divina é algo necessário para nossa própria vida de oração. E utilizá-la com nossos catequizandos é algo importantíssimo para leva-los a uma oração profunda, com a Palavra de Deus, isto é, Jesus Cristo, como centro da vida.
Terceira pergunta: por qual motivo a Lectio Divina é tão especial assim?
Pelo fato de ser muito antiga, uma herança da forma como Jesus e os apóstolos liam e interpretavam os textos sagrados. E pelo fato de ser a mesma forma com os primeiros mistagogos catequizavam antigamente. A Lectio Divina é uma oração a partir da vida da pessoa, mas com o centro no texto bíblico. A(o) catequista, ao conhecer o sentido do texto, explica de forma direta como a Palavra se liga com a vida. Não se trata de recontar ou de explicar o texto bíblico escolhido. Ao fim deste texto colocarei um vídeo que ensina mais sobre a Lectio Divina e colocarei um canal no Spotify no qual há cerca de 100 Lectios Divinas para você ouvir, rezar e aprender.
Catequizandos que passam pela mistagogia desta forma na catequese crescem muito como pessoa e como admiradores da mensagem de Jesus Cristo. Com maior frequência tornam-se membros ativos de nossas paróquias e guiam suas vidas pelo caminho do bem, da paz e da justiça. Entendem muito mais sobre o sentido e a importância da Igreja que outros catequizandos que tiveram uma catequese apenas de conteúdos resumidos. Sabem que o grande e mais importante conteúdo da catequese deve ser a capacidade de conseguirem conhecer Deus pela Bíblia e pelos eventos da vida.
Catequista, conheça e pratique a Lectio Divina e entenda como podemos tornar nossa catequese ainda melhor por meio da mistagogia. Você já conhece e já pratica a Lectio Divina? Você conhece a diferença entre Lectio Divina e Leitura Orante?
Não tenha medo de se arriscar e se precisar, conte comigo para dar este salto na sua missão.
Já conhece nosso Podcast de Lectio Divina?
https://altierezdossantos.com/radio-catequese/
Fonte:
1 comentário.
Muito esclarecedor. Eu havia pesquisado sobre o significado de Mistagogia, porém não foi tão completa assim a minha pesquisa.
Obrigada, Altierez